24.10.05

brava gente

em tempos de nacionalidade exarcebada, como daiane dos santos, seleção brasileira de futebol e direito de ir às armas (sim, sarcasmo), esse texto que fala sobre um dos símbolos máximos do estado, o hino nacional, é um soco no estômago:

A linguagem esotérica e arcaica galvaniza comumente sentimentos mágicos e aristocráticos imprecisos e difusos. No mundo das percepções invertidas e alienadas, a sentimentos superiores não pode corresponder, jamais, linguagem e conceitos inferiores. Ou seja, comumente, para que conteúdos elitistas alcancem efeito popular, eles não podem ser vertidos em linguagem popular compreensível.

A linguagem mandarinesca supera a impossibilidade de escrever, em língua de gente, canção que registre, no seio de espaço geográfico nacional, os inexistentes interesses comuns a banqueiros e bancários, a empregadores e empregados, a investidores e desempregados, a latifundiários e sem terra. Assim sendo, a linguagem rebuscada e incompreensível materializa facilmente sentimentos produzidos na esfera da irracionalidade social.


se tiverem um tempinho, leiam por que não canto o hino nacional.

em tempo: como diria nicolau maquiavel, só é durável a submissão voluntária.

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